A.K.: Trata-se aqui da consciência que o supliciado pode ter de si
mesmo, como homem e por intermédio dos órgãos, e não como Espírito. Se não
perdeu essa consciência antes do suplício, pode conservá-la por alguns
breves instantes. Ela, porém, cessa necessariamente com a vida orgânica do
cérebro, o que não quer dizer que o perispírito esteja inteiramente
separado do corpo. Ao contrário: em todos os casos de morte violenta,
quando a morte não resulta da extinção gradual das forças vitais, mais
tenazes são os laços que prendem o corpo ao perispírito e, portanto, mais
lento o desprendimento completo.
Comentários de Miramez
Alguns Espíritos, antes de reencarnarem, pediram esse meio de retornar à
pátria espiritual, para exemplificar coragem e fé, mostrando, por esse
fato, que existe o mundo dos Espíritos e que ninguém morre. Para o
Espírito evoluído, qualquer morte à qual for preciso se submeter, é um
simples acontecimento, como o de vestir roupas, que se troca com alegria,
quando necessário. O medo de morrer, para o ignorante, vem por força
instintiva de conservação, e sempre passa dos limites, por falta de
conhecimento da verdade.
O Espírito pode ficar ligado ao corpo por horas, dias, meses ou anos.
Depende da sua elevação. No caso de Francisco de Assis, por exemplo, ele
deixou o corpo, como se deixa uma roupa usada e suja, com plena
consciência do seu estado de vida, na sua lucidez imperturbável. Assim
aconteceu com vários outros missionários, que vieram a Terra por
misericórdia de Deus. Morrer, para eles, na linguagem humana, é viver, não
lhes preocupando a forma. Escolhem a que mais pode consolar aos que os
cercam e levá-los à fé e à confiança em Deus.
http://www.olivrodosespiritoscomentado.com/fev4q162c.html
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