Os Espíritos benévolos alcançaram em profundidade o conhecimento moral e
adquiriram a força de vivê-los em todos os momentos; não obstante,
cultivaram com muito empenho a sabedoria, êmulo da vida da alma em
ascensão. Na verdade, não podemos viver sem amor, no entanto, é
indispensável que tenhamos sabedoria, para conhecer o próprio amor e seus
fundamentos. Somos todos dotados de sentimentos que nos levam a
tranqüilidade da consciência, quando bem orientados, porém, a razão é de
grande utilidade para nos mostrar ate onde deveremos chegar, usando a
bondade.
Deus é equilíbrio universal. Se ele é amor, como afirma o apostolo João, é
também saber. O pássaro voa com duas asas e a natureza, para manter a
harmonia, é sempre binária. Os Espíritos benevolentes fecham os olhos à
razão e muito poucos usam o raciocínio, para não contrariar seus
sentimentos de fraternidade. Mas, o tempo a todos educa e nos transcorre
dos evos a própria vida irá lhes mostrando o que deve ser feito e eles
passarão a entender que a melhor parte é educar e instruir, mesmo que,
para tal, passem por alguns desgostos com aqueles que os acompanham –
ninguém agrada a todos, porque nem o Mestre Jesus o pretendeu.
Jesus Cristo vai conseguir encaminhar todas as criaturas para o bem
imortal, e já esta se processando esse grande movimento, como sendo a
grande esperança. Deus é tão Amor, e as Suas leis dão prova disso, que não
agride; é tanta Sabedoria, e a natureza o testemunha, que move o progresso
passo a passo, para que todos compreendam como deve prosseguir. Existem
irmãos nossos, de certa evolução moral, a quem verdadeiramente admiramos,
por sua conduta ilibada em todos os aspectos. Por onde passam,
entrementes, são frios na especulação cientifica, que nos põem, muitas
vezes a pensar. Devemos valorizar sempre o que existe, e isso nos
demonstra a ciência espiritual, que faz florescer o próprio Amor.
O próprio “Livro dos Espíritos”, do qual estamos tentando falar, por
bênção de Deus e misericórdia de Jesus, nos diz nesse texto, ditado por
elevada entidade que podemos chamar de Espírito perfeito: “Tudo tem uma
razão de ser, e nada acontece sem a permissão de Deus”. Sendo assim, vamos
examinar o que existe na feição de Amor e de Ciência, mas, também,
compreender a posição daqueles a quem não agrada a Ciência, bem como aos
frios no Amor. Vamos, em tudo, dar graças, porque o progresso não dá
saltos.
Esses Espíritos fazem parte de uma categoria que mais se preocupa com o
bem, usando de todas as forças e recursos para ajudar os outros; alimentam
a ternura para com seus companheiros e não se esquecem de exercitar o
perdão, ainda que encontrem, a princípio, dificuldades para praticá-lo nas
faltas cometidas contra si. Quando animam um corpo físico, fazem todo o
empenho em promover encontros, para que o bem se espalhe e os homens
compreendam o valor da fraternidade. Em um confronto entre seus familiares
e outros que não fazem parte de seu convívio familiar, muitas vezes a
bondade os leva à convivência com os primeiros, embora sofram com a
decisão. São altamente sensíveis, sofrendo com os sofredores, sentindo-se
ainda incapazes de contrariar as pessoas que amam.
Os bons Espíritos já se encontram em escala de muito valor moral e se
esforçam para conhecer a ciência mais profunda, integrando se no Amor, que
desconhece restrições de raça,cor e pátria, buscando, assim, universalizar
os seus sentimentos. São os comumente identificados por Santos, Gênios,
Protetores ou Guias, que se espalham por todo o universo, com profundas e
sinceras intenções de ajudar seus protegidos, dentro da segurança que
aprenderam a respeitar.
Miramez
A.K.: 106. Sexta classe. ESPÍRITOS BATEDORES E PERTURBADORES. - Estes
Espíritos, propriamente falando, não formam uma classe distinta pelas suas
qualidades pessoais. Podem caber em todas as classes da terceira ordem.
Manifestam geralmente sua presença por efeitos sensíveis e físicos, como
pancadas, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do
ar, etc. Afiguram-se, mais do que outros, presos à matéria. Parecem ser os
agentes principais das vicissitudes dos elementos do globo, quer atuem
sobre o ar, a água, o fogo, os corpos duros, quer nas entranhas da terra.
Reconhece-se que esses fenômenos não derivam de uma causa fortuita ou
física, quando denotam caráter intencional e inteligente. Todos os
Espíritos podem produzir tais fenômenos, mas os de ordem elevada os
deixam, de ordinário, como atribuições dos subalternos, mais aptos para as
coisas materiais do que para as coisas da inteligência; quando julgam
úteis as manifestações desse gênero, lançam mão destes últimos como seus
auxiliares.
Esses Espíritos estão se movimentando em muitas classes, por estarem em
transição. Agitam em várias freqüências da vida e costumam perturbar até
os animais. São parceiros inseparáveis dos escandalosos, gostam de barulho
e estão sempre na folia onde a euforia descontrolada lidera. São
caracterizados pela imprudência. Gostam de movimentos reivindicatórios,
agitando o país, e não deixam de participar das revoluções, tem grande
ânimo para mudanças de lideranças, não para que se beneficie a comunidade
e, sim, pela confusão que isso é capaz de gerar. Eles são chamados,
também, Espíritos batedores.
Alteram, de certa forma, as suas próprias consciências, sem saberem que,
no futuro irão responder por suas inconveniências. Participam de quase
todas discussões e brigas, sem analisarem o que possa acontecer. Não
gostam de silêncio e, certamente, repudiam a oração e as conversações
evangélicas, armas poderosas daqueles que já despertam para a verdade.
Atuam muito através das crianças, cujos pais desconhecem a vigilância.
Participam quase sempre dos festejos e conversações, onde foguetes e
bombas marcam a alegria. Pelo que já falamos deles, dá para se notar onde
se encontram os Espíritos batedores, onde podem interferir, usando as
oportunidades para perturbar e desorientar os homens.
Esses Espíritos estão sempre intervindo nas convulsões da natureza, quais
sejam; trovoadas, relâmpagos, tremores de terra e erupções dos vulcões;
estão presentes nas queimadas e participam das enchentes, acidentes de
carros, desmoronamentos de prédios e quedas de aviões. São usados pelos
guias espirituais em seções de materializações, por serem mais hábeis nas
coisas materiais do que nas espirituais. Costumam, por isso, afinizar-se
muito com os médiuns de efeitos físicos que, aconselhamos, tenham guias
encarnados bem conscientes dos seus deveres, para o orientarem no bom
andamento da função mediúnica.
O Espírito, de certa forma, não tem culpa de se encontrar nesta ou naquela
classe, que são caminhos para todas as almas; no entanto, não podemos nos
descuidar, em momento algum, da educação e da disciplina, trocando
experiências uns com os outros para, que, na Terra, algum dia, possamos
desfrutar da condição de paraíso espiritual e os Espíritos perturbadores
passem a ser Espíritos do bem, disseminando o amor por toda à parte, como
os que já se encontram nesse plano, depois de passarem pelas trevas.
Miramez